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CAPÍTULO 58
Onde governa a tolerância
O povo tem tranqüilidade
Onde governa a discriminação
O povo tem insatisfação
É na desgraça que se encontra a felicidade
É na felicidade que se esconde a desgraça
Quem é capaz de conhecer estes extremos?
Na ausência de governo
O governo passa a agir como estranho
A bondade passa a agir como maldade
A ilusão do homem tem seu dia consolidado longamente
Seja quadrado sem corte
Seja honesto sem humilhar
Seja reto sem abuso
Seja luminoso sem ofuscar
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CAPÍTULO 59
Para reger o homem e servir o céu
Nada como ser o modelo
Somente sendo o modelo
Pode-se dominar cedo
Dominar cedo significa aumentar o acúmulo de Virtude
Aumentando o acúmulo de Virtude
Então não há o que não se possa vencer
Não havendo o que não se possa vencer
Não se conhece seu extremo
Podendo conhecer seus extremos
Pode-se possuir o reino
Possuindo a mãe do reino
Pode-se ser constante
Isto é uma raiz profunda e um pedúnculo sólido
É o Caminho da vida constante e visão duradoura
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CAPÍTULO 60
Governar um grande reino é como cozinhar um pequeno peixe
Atuando sob o céu através do Caminho
Seus demônios não são despertados
Não que seus demônios não sejam despertados
Seu despertar não fere o homem
Não apenas que seu despertar não fira o homem
O Homem Sagrado também não fere o homem
Sendo que os dois não se ferem
Assim suas Virtudes se unem e retornam
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CAPÍTULO 61
O grande reino é aquele corrente abaixo
É um campo sob o céu
Num campo sob o céu
A fêmea sempre vence o macho através da quietude
Por isso, o grande reino estando abaixo do pequeno reino
Conquista o pequeno reino
O pequeno reino estando abaixo do grande reino
Absorve o grande reino
Assim
Ou por estar abaixo para conquistar
Ou por estar abaixo para absorver
O grande reino apenas deseja unir e cultivar os homens
O pequeno reino apenas deseja integrar e servir aos homens
Cada um destes dois encontra o local para seu desejo
Portanto, o grande deve estar abaixo
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CAPÍTULO 62
O Caminho é o segredo dos dez mil seres
Tesouro do homem benevolente
É o que o homem não-benevolente não guarda
Palavras bonitas podem ser negociadas
Atitudes reverentes podem aumentar um homem
Mesmo com a não-benevolência do homem
Como se poderia abandoná-lo?
Por isso, ergue-se o filho do céu42
Ordenam-se o três duques
Mesmo possuindo o jade de oferenda43, antes de quatro cavalos44
Nada se compara a sentar e entrar no Caminho
Por que motivo antigamente se valorizava o Caminho?
Não diziam que quem busca pode adquirir?
Quem possui culpa pode ser absolvido?
Por isso é valioso sob o céu
42 Os reis eram chamados de “Filhos do Céu”.
43 É um objeto de arte antiga feito de jade, representa as jóias preciosas.
44 Antigamente, os carros de quatro cavalos pertenciam aos nobres.
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CAPÍTULO 63
Ação através da não-ação
Atividade através da não-atividade
Sabor através do não-sabor
Grande como pequeno, muito como pouco
Retribuir injustiça através da Virtude
Planejar o difícil a partir do fácil
Realizar o grande a partir do pequeno
Sob o céu
A difícil atividade se realiza certamente a partir da fácil
A grande atividade se realiza certamente a partir da pequena
Promessas levianas certamente carecem de confiança
Excesso de facilidades certamente traz excesso de dificuldades
Sendo assim,
O Homem Sagrado assemelha-se ao difícil
E, por isso, até o fim, não tem dificuldades
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CAPÍTULO 64
O que tem paz é fácil de manter
O que é anterior ao despertar é fácil de planejar
O que é frágil é fácil de quebrar
O que é pequeno é fácil de dissolver
Realiza-se a partir da existência
Organiza-se a partir de antes da desordem
Uma árvore de grande abraço gera-se de uma fina muda
Uma torre de nove andares levanta-se de um acúmulo de terra
Uma viagem de mil léguas inicia-se debaixo dos pés
Quem age fracassa
Quem se apega perde
Assim, o Homem Sagrado não age, por isso, não fracassa
Não se apega, por isso não perde
Os homens, na realização das atividades
Sempre fracassam em suas quase-conclusões
Cautela tanto no fim como no princípio
Conduz à atividade sem fracasso
Assim, o Homem Sagrado deseja através do não-desejo
Não valoriza as coisas de difícil aquisição
Aprende através do não-aprender
Possui o que ultrapassa todos os homens
Para auxiliar a naturalidade dos dez mil seres
E não encorajar a ação
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CAPÍTULO 65
Na antiguidade, os bons realizadores do Caminho
Não o utilizavam para esclarecer o povo
Utilizavam-no para alegrá-lo
A dificuldade de se governar o povo
É devida aos seus conhecimentos
Por isso
Utilizando o intelecto para governar o reino
Têm-se furtos no reino
Não utilizando o intelecto para governar o reino
Tem-se Virtude no reino
Aquele que conhece estes dois
Também se orienta por estes modelos
O constante conhecimento de orientar-se por estes modelos
Chama-se Misteriosa Virtude
A Misteriosa Virtude é profunda e longa, inverso das coisas
Naturalmente, após isso, alcança-se a grande fluência
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CAPÍTULO 66
O que pode tornar os rios e mares reis dos cem vales
E saber situar-se embaixo
Por isso podem ser os reis dos cem vales
Assim
O Homem Sagrado aspirando estar acima dos homens
Coloca suas palavras abaixo das deles
Aspirando estar à frente dos homens
Coloca seu corpo atrás dos deles
Portanto
Situa-se em cima mas seu povo não sente o peso
Situa-se à frente porém o povo não é lesado
Assim, o mundo alegra-se em exaltá-lo porém sem desgosto
Como ele não disputa
O mundo não pode disputar com ele
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CAPÍTULO 67
Sob o céu todos se consideram o grande
Não rio disso
O grande sendo grande
Por isso não ri
Se risse
Ha muito teria se tornado pequeno
Eu tenho três tesouros
Que valorizo e preservo:
O primeiro chama-se afetividade
O segundo chama-se simplicidade
E o terceiro chama-se
Não encorajar ser o dianteiro sob o céu45
Assim
Através da afetividade pode-se ter coragem
Através da simplicidade pode-se ter amplitude
Não encorajando ser o dianteiro sob o céu
Pode-se concluir o instrumento do eterno
Hoje
Abandonando a afetividade e tendo coragem
Abandonando a simplicidade e tendo amplitude
Abandonando o ulterior e tornando-se o dianteiro
Isso é morrer
Através da afetividade
Com a manifestação, é ordenada a retidão
Com o resguardo, é ordenada a duração
Quando o céu quer salvar
Utiliza a afetividade como proteção
45 “Não encorajar a ser o dianteiro sob o céu” representa a humildade.
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CAPÍTULO 68
Na antiguidade, os bons praticantes de cavalheirismo
Não eram belicosos
Bons em guerrear, sem ira
Bons em vencer os inimigos, sem disputa
Bons em empregar os homens, agindo como o inferior
Isso se chama a virtude da não-disputa
Isso se chama a força de empregar os homens
Isso se chama a supremacia da união com o céu e a antiguidade
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CAPÍTULO 69
Sobre o uso da arma ha um provérbio
“Não me encorajo a agir como anfitrião
Prefiro agir como hóspede
Não me encorajo em avançar uma polegada
Prefiro recuar um pé ”
Isso se chama mover não movendo
Agarrar não abraçando
Defender não lutando
Enfrentar sem inimizade
Não há desgraça maior do que humilhar o inimigo
Humilhando o inimigo, então
Arriscamos perder nosso tesouro
Por isso
No confronto onde as armas se igualam
Vence, então, o que está entristecido
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